Em troca da oferta de bolsas do ProUni, os estabelecimentos de ensino
recebem isenção de alguns tributos. Relatório do Tribunal de Contas da
União (TCU) apontou estabelecimentos que estão recebendo o benefício
mesmo sem preencher todas as bolsas ofertadas sejam preenchidas. Segundo
o senador, isso causou prejuízo de R$ 104 milhões à União, dinheiro que
deveria ser ressarcido pelas instituições. Segundo Haddad, a maior
parte das bolsas não ocupadas do ProUni são parciais (custeiam 50% da
mensalidade). Ele disse que vai sugerir à liderança do partido no Senado
que modifique a lei para que o benefício seja exclusivamente integral.
“Se o programa pode ser aperfeiçoado, é hora de nós darmos as mãos para
fazê-lo. Uma iniciativa que ajudaria muito o ProUni é eliminar a meia
bolsa. Se todas fossem integrais, o preenchimento seria muito mais
fácil. Quando o aluno se inscreve para meia bolsa, muitas vezes reluta
em assumir aquele compromisso na hora da matrícula, porque ele é de
baixa renda”, pontuou.
O programa oferece a ex-alunos de escolas públicas bolsas de estudo em
instituições particulares de ensino superior. As bolsas integrais são
destinadas a estudantes com renda familiar mensal per capita de até um
salário mínimo e meio. Já as bolsas parciais são para os candidatos cuja
renda familiar mensal per capita de até três salários mínimos.
Para o primeiro semestre de 2011, 4% do total de 123 mil bolsas
oferecidas ficaram ociosas na primeira etapa de inscrições – apesar do
número recorde de 1 milhão de inscritos. De acordo com o Ministério da
Educação, quase 90% das 5.526 bolsas que não foram preenchidas são de
cursos de educação a distância. Outra característica dessas vagas é que a
maioria (87%) é parcial. Entre as integrais, menos de 1% não foi
ocupado.
Haddad admite que a questão da educação a distância no programa pode
ser discutida, mas destacou que a proposta de alteração da lei do ProUni
não vai partir do Executivo. “O problema de mandar um projeto do
Executivo é que você reabre a discussão sobre o programa na sua
natureza. Isso reabriria uma discussão que na época [da aprovação da
lei] já foi muito pesada”, afirmou.

0 Comentários