Os alunos da UFBA (Universidade Federal da Bahia) que estudam à noite
têm passado por uma situação no mínimo peculiar: eles reclamam que,
enquanto as salas de aula ficam abertas, bibliotecas, lanchonetes e o
serviço burocrático e administrativo ficam fechados. Esses cursos
noturnos foram os que mais cresceram no âmbito do programa de expansão
das universidades federais, o Reuni. Em três anos, o número de
graduações subiu de um para 33.
“A não ser as próprias aulas, todo o resto do funcionamento da
universidade ainda não foi adaptado à dinâmica da noite. Os serviços
administrativos e todo o expediente burocrático não funcionam à noite,
assim como algumas bibliotecas e lanchonetes. Isso sem falar do problema
crônico da segurança e da falta de vagas para estacionamento.”, diz
Marcelo Leite, integrante do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e
aluno do sétimo semestre de história na UFBA.
Matriculado em um BI (bacharelado interdisciplinar) na área de
humanidades, Roberto Vieira, 22, disse que depois das 19h30 é “muito
difícil encontrar qualquer coisa funcionando na UFBa, com exceção das
salas de aula.” “No mês passado, por exemplo, precisei de dois livros e
não consegui retirá-los simplesmente porque a biblioteca estava fechada.
Tive de sair mais cedo do trabalho no dia seguinte para pegar as
obras”, afirmou.
De acordo com a UFBA, 3,5 mil alunos estudam no noturno nos três campi
que a instituição mantém no Estado (Salvador, Vitória da Conquista e
Barreiras) e cerca de 25 mil, no diurno. Além do aumento do número de
cursos noturnos, entre 2007 e o ano passado a universidade registrou um
índice ainda maior em relação às vagas oferecidas à noite, que pularam
de 70 para 2.610.
Obras
A UFBA diz que, desde que começaram a ser implantados os cursos
noturnos, há obras em todas as unidades. A reitora Dora Leal afirma que,
para atender toda a demanda provocada pelo aumento de vagas, a UFBA
está investindo na construção de novos prédios, reformando salas de aula
e melhorando a infraestrutura de todas as suas unidades, principalmente
nos setores de iluminação e segurança. Apesar disso, somente quando os
trabalhos forem concluídos é que será possível amenizar a situação.
A área construída nos três campi efetivamente cresceu na vigência do
Reuni -passou de 285.413 para 373.651 metros quadrados, uma expansão de
30,9%. Dos cerca de 50 itens contemplados no relatório do programa,
apenas dois apresentaram variação negativa durante o período: ações
extensionistas (de 934 para 647) e número de bibliotecas (de 35 para
11).
A reitora admite que a expansão veio acompanhada de problemas. “Muitas
licitações foram feitas, mas algumas empresas pediram o distrato porque
não conseguem cumprir o contrato e não têm capital de giro para executar
os trabalhos”, afirma. Como exemplo, ela citou a paralisação dos
serviços que estavam sendo executados na Escola de Música. “A empresa
simplesmente abandonou os trabalhos e tivemos de fazer outra licitação.”
Verticalização
Representante dos docentes no Conselho Universitário e candidato a
reitor na última eleição, o professor João Augusto de Lima Rocha
classificou o Reuni “como uma iniciativa muito importante para a
ampliação das vagas na UFBA”. No entanto, ele diz, os estudantes
convivem com instalações deterioradas e precárias, além de unidades
sobrecarregadas.
“Acho que somente a verticalização dos novos prédios pode dar mais
conforto para estudantes, funcionários e servidores”, afirma João Rocha.
“Prédios de quatro andares, como os que estão sendo construídos, não
vão resolver o problema.”
UOL

0 Comentários