Área: Atualidades e História
O grupo radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza,
anunciou no sábado 20 o fim da trégua acordada com Israel após a guerra
de 2009, devido a uma série de ataques israelenses à área. A mensagem
foi transmitida por uma rádio da organização, mas, segundo o jornal
britânico The Guardian, um porta voz político da organização
negou que isso tenha sido acordado. Ainda assim, a situação pode levar
ao aumento da instabilidade na região.
Os israelenses afirmaram que os indivíduos responsáveis pelo ataque
entraram por Sinai, no Egito, e atribuíram a ação ao Comitê Popular de
Resistência palestino. O Hamas negou envolvimento e o líder do grupo em
Gaza, Ismail Haniyeh, pediu a intervenção egípcia e da ONU para acabar
com os bombardeios.
Resposta
Após os ataques em Elilat, Israel realizou operações aéreas sobre a
Faixa de Gaza, matando ao menos oito indivíduos. De acordo com o Guardian,
15 pessoas foram mortas na região desde quinta-feira 18, sendo três
crianças. Os bombardeios israelenses também vitimaram três guardas
egípcios na fronteira do Sinai, elevando os ânimos entre os dois países.
Israel acusou o Egito de ter perdido o controle da segurança na
região, que por sua vez exigiu um pedido de desculpas pelas declarações e
uma investigação sobre as mortes de seus soldados. O governo egípcio
anunciou inclusive que estava chamando seu embaixador em Israel de volta
ao Cairo até que a situação fosse resolvida.
Para conter a crise rapidamente, o ministro da Defesa israelense,
Ehud Barak, lamentou no sábado o ocorrido com os guardas e anunciou uma
investigação. Segundo o jornal israelense Haaretz, esta envolverá o
exército de ambos os países.
Barak, preocupado com a onda anti-Israel no país vizinho, com quem
vive um momento de incertezas após a queda do aliado Hosni Mubarak,
evidenciou ainda a importância do acordo de paz entre as duas nações. “O
acordo é fundamental e estratégico para a estabilidade do Oriente
Médio”.
Histórico de conflitos
Em setembro, a Onu deve votar o reconhecimento do Estado Palestino, o
que torna a situação ainda mais tensa na região. Apesar de a maioria
acreditar numa resolução pacífica, paira no ar o temor de um agravamento
do conflito. Há cerca de uma semana, Israel aprovou a construção de
1.600 casas na parte palestina de Jerusalém. Os assentamentos judaicos
na Cisjordânia são foco de conflito, pois a região é considerada por
muitos países como território palestino, ainda que não reconhecido como
tal por Israel.
Segundo o cientista político Magid Shihade, ouvido pela CartaCapital em
março, faz parte da estratégia israelense dividir para governar. Assim,
os territórios palestinos são todos fragmentados, entrecortados por
check-points israelenses na divisa com terras dominadas por Israel. “É
como se eu pegasse seu maço de cigarros e dissesse ‘Talvez eu te dê um
cigarro’”, diz Shihade.
A Faixa de Gaza tem 1,5 milhões de habitantes e está sob o controle
de Israel desde 1967. O bloqueio à Faixa teve início em junho de 2006
com a captura do soldado Gilad Shalit por militantes do Hamas. Foi
intensificado em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah do território.
Israel invadiu Gaza no fim de dezembro de 2008, após militantes do Hamas
lançarem foguetes caseiros Qassam contra o território israelense. A
ofensiva, denominada Operação Chumbo Fundido, durou 22 dias: 1.390
palestinos foram mortos, segundo a ONG israelense B’Tselem. Destes, 759
não teriam tomado parte nas hostilidades, e 318 dos mortos tinham menos
de 18 anos.
Fatah e Hamas fecharam em maio um acordo de reconciliação. “E essas
novas lideranças palestinas concordam que uma luta armada, com base no
estatuto original da Organização de Libertação da Palestina (1964) é a
única solução para reavermos nossas terras com as fronteiras dos tempos
do Mandato Britânico (1914-1939)”, disse à revista, em março, Mohammed
Assad, professor de lingüística da Universidade de Al-Azhar.
Carta Capital

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