O acordo de Belovezhskaya Pushcha, no qual os então dirigentes
da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia certificaram o fim da União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), completa 20 anos nesta
quinta-feira.
"A URSS era minha pátria, mas não tínhamos outra alternativa além de
decretar seu fim. Caso contrário, poderia ter explodido uma guerra
civil", afirmou nesta quarta-feira Stanislav Shushkevich, o então
presidente do Parlamento bielorrusso e um dos signatários do histórico
acordo.
Shushkevich lembra que várias das repúblicas soviéticas contavam com
grandes arsenais nucleares, razão pela qual era urgente estabilizar a
situação do ponto de vista jurídico.
"Não foi uma conspiração. De fato, não havíamos pensado em assinar um
acordo. Simplesmente devíamos constatar em um documento quem éramos e
qual era a situação da URSS naquele momento. Tínhamos que ser valentes",
comentou em entrevista por telefone.
O atual opositor lembra que foi o vice-primeiro-ministro russo,
Gennady Burbulis, quem propôs a frase que entrou para a história em
Belovezhskaya Pushcha, uma reserva natural na qual os dirigentes
soviéticos costumavam caçar.
"Declaramos que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, como
sujeito do direito internacional e realidade geopolítica, deixa de
existir", relembrou Shushkevich, que reconheceu que seu objetivo era
"uma Belarrússia independente".
O político indica que nunca chegou a se consultar com o então
presidente soviético, Mikhail Gorbachev, que tentava conservar a união.
"Gorbachev era primeiro comunista e só depois um democrata", avaliou.
Shushkevich opina que o legado soviético ainda está muito presente na
vida das antigas repúblicas soviéticas, em particular na Rússia e em
Belarrússia, que descreveu como "uma pequena União Soviética".
Os signatários do histórico acordo, entre os quais também estavam o
líder russo, Boris Yeltsin, e o ucraniano, Leonid Kravchuk, acertaram
também a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
Segundo o atual primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que
qualificou o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século
20", a CEI foi o mecanismo de "divórcio civilizado" entre as repúblicas
do bloco soviético.
O Estado totalitário comunista foi extinto definitivamente em 25 de
dezembro de 1991, quando Gorbachev admitiu, em discurso transmitido pela
televisão, o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Em seguida, a bandeira soviética foi retirada do Kremlin e, meia hora depois, foi içada a da Rússia.
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